Web Novela: Parte II - O covil dos monstros

Web novela "O espelho de Alice Betini", escrita por mim. Primeira parte Aqui. Lembrando que o conteúdo contém linguagens inadequada para menores de 18 anos.

     Melissa não voltou mais á escola naquele ano. Ela continuou escrevendo sempre que podia, e em uma das primeiras páginas, ela relata que os estupros continuaram. Como não sabia que estava sendo vítima de um crime, naquela época, ela não pensava em pedir ajuda.

     Não ter ido á uma escola e nem ter contato com outras pessoas, a fez não entender que as “brincadeiras” eram na realidade um crime brutal e cruel. Se ela tivesse tido informações, talvez essa história teria apenas um capítulo.

Mais páginas de seu diário podem nos mostrar como ela via toda essa situação.

     Diário, Eu estou triste, titio vem querendo que eu faça aquela brincadeira com ele de procurar o tesouro dentro de mim, mas, eu sinto algo estranho quando ele brinca comigo. Ás vezes ele grita umas palavras estranhas e eu não sei o que ele quer dizer, depois ele me dá um leite ruim para beber e se não quero ele diz que vai me bater se eu não tomar.Essa noite eu acordei chorando e ele me disse que vamos mudar de casa para que eu possa chorar e ninguém me ouça. O Cacau, um amigo dele, ás vezes vem aqui e pergunta se quero brincar com ele igual brinco com o titio, e eu digo que não e corro e ele diz que não estou pronta. Falta algum pedaço em mim? Ainda não estou inteira? O que falta? Não quero brincar mais, quero ficar no meu quarto e comer os doces que escondido embaixo da cama. Quero sonhar com a mamãe e que ela pegue na minha mãe e me faça cafuné enquanto meu papai me canta uma canção para eu dormir.
Melissa completou 8 anos e a promessa de seu tio se realizou, ela, não somente mudou de casa, para uma com porão com isolamento acústico, como também mudou completamente sua vida. Estava começando o fim de sua vida, não fisicamente, mas emocionalmente, o fim de tudo que conhecia como vida. A agressividade do tio se mostrou de forma completa e seu sadismo apareceu. Surgiram regras e dores que antes não existiam.
Outra página de seu diário, escrita quando ela já era adulta, revela como foi essa mudança, da casa de seus pais para o porão da casa nova.
     Me lembro ainda daquele dia de agosto, em que fui obrigada a deixar tudo que eu amava e passar a viver sob o chão e ser estuprada diariamente. Foi quando conheci o medo, a dor, os pesadelos de minha vida. Onde achei que fosse morrer, mas, para infelicidade de uma garotinha com 8 anos, continuei viva.Eu já havia aprendido sozinha que as brincadeiras de meu tio e seu amigo já não eram mais brincadeiras, eram reais e ruins. Ainda não tinha noção de estupro, abuso sexual ou pedofilia, eu apenas sentia que não deveriam mexer com meu botãozinho, que um estranho nunca deveria me fazer mal, muito menos meu tio.Naquele dia ele me disse apenas que iríamos mudar, mas, nunca disse que o que mudaria seria minha vida. Que os monstros no armário seriam meus melhores amigos, junto com Judy, meu amigo imaginário que me salvou de enlouquecer nos piores momentos. Meu único companheiro quando nem escrever eu podia.Fui jogada num quarto sujo, com cheiro de detergente estragado, com cheiro ruim e ar pouco respirável. A primeira visita da noite foi meu tio, que espero nunca mais chamar de tio, pois ele passou a ser somente o monstro. Ele não falou muito, apenas me deu um soco tão forte que eu apaguei metade da noite e quando acordei, ele já estava em cima de mim, me devorando viva, como lobos fazem com carne morta.Eu passei apenas a ser uma carne deliciosa perante o monstro que estava ali. Senti tanta dor aquele dia que chorei muito e quanto mais eu chorava e tentava escapar, mais ele me batia e me açoitava com seu corpo em cima do meu.Hoje ainda consigo ouvir minha voz fraquinha depois do abuso, implorando para que papai viesse tirar o monstro dali. Mal eu sabia que meu pesadelo real estava só começando.Depois dele, veio seu amigo cacau e ainda naquele dia, mais 2 estranhos vieram roubar minha inocência, a pureza que ainda restava dentro de mim, meu tesouro, segredo escondido embaixo do meu vestido.

     Os estupros começaram a ser mais frequentes, e não somente com o tio, mas, também com amigos do bar e amigos destes amigos. Seu tio recebia favores dos amigos em troca da pequena Melissa.

     Seu corpo pequeno e infantil atraia aos algozes, que lhe machucavam o corpo e a alma. Foi crescendo em meio á violência que Melissa desenvolveu transtorno alimentar, a anorexia. Antes de ir para o porão, seu tio levava doces para que ela aceitasse as tais “brincadeiras”

     Quando foi para a casa nova, os amigos continuaram com esse hábito e isso gerou nela uma compulsão alimentar precoce. Ela não comia os doces na hora, mas depois, juntava todos os doces e comia muito e sem controle, depois ficava chorando com dores o estômago e aos poucos chorava pois se sentia culpada.

     Demorou alguns meses até começar a provocar o vômito não para emagrecer, mas, para se sentir mais limpa e menos suja, tanto a sujeira alimentar como a sentimental gerada pelos estupros contínuos.
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