Texto: Simplesmente ir


     Certa vez questionaram minhas partidas, sem lágrimas, sem dramas, simplesmente ia, sempre voltava, horas demorava, horas não. A questão de permanecer sempre me foi clara: “Não posso ficar parada”, desculpas aos que choraram, mas não era minha intenção. Sobre os corações que parti, também peço perdão, pois, caros amigos, o que seria de mim, se parasse, se virasse uma garotinha melodramática, sem amigos, sem histórias… Só com amores inventados.

     Sei que nunca fui de mentira, e amores conquistei nas idas e vindas que dei, mas desculpem se não os amei. Nunca fui fria ou indiferente, muito pelo contrário, despojo amor e carinho, mas nesse mundo nascemos sem par, e por mais que seja legal ter alguém pra se deitar no peito isso não pode se idealizar.
Nunca fui de forçar sentimentos, meus sorrisos sempre tinham fundo de humor, e poucas lágrimas, derramei, tive poucas tristezas também, amém. Deus me livre comparar a dor de quem perdeu um amor, ou dois talvez. Nunca amei, mas quando amar quero que seja eterno, tomara que até lá já tenham inventado a cura para morte.

     Sobre pessoas e lugares tenho que deixar um alô para o cara que me sussurrou palavras doces, e atitudes amargas, coitado, me pareceu muito frustrado.
Também queria falar sobre a menina que ria. Ria do meu cabelo, e das minhas diferenças, será que ela já se curou de suas fraquezas?

     De tantas idas e vindas, não posso esquecer o canalha, a mulher tagarela e do menino sorridente. Todos deixaram suas marcas, umas boas e outras não tão boas, mas todas compuseram minha história.


     Queria descrever todos os céus que vi, e tempestades que peguei, mas não sobraria espaço para as frases de para-choque, certa vez na estrada, aprendi uma coisa: Quando mais se aprende, mas se tem a aprender. Isso pode ser aplicado em todas as áreas da vida, o que me serviu de consolo na época que não me sentia muito inteligente, dai vi que isso era normal, quando mais se auto afirma, mais tolo é, mas eu também não vou opinar quem sou eu? Uma Mera aprendiza, que se vai, e ta indo, e ta voltando e nunca quis ficar.

     Sobre o que sou? João, não ter rótulo é impossível, até para ser sem rótulo, tem que ter o rótulo do sem rótulo, é complexo, mas se fosse me descrever na terceira pessoa: ONDA, indo e vindo, às vezes forte, às vezes fraca. Fisicamente? Não tem nada de errado em ser como sou. Conheci tanta gente de sorriso bonito e coração pequeno, que Deus me livre reclamar ou reparar formas, quero sinceridade, assim quem sabe, conquisto amor de verdade.

     Sobre falsidade? Vixi, a parada fica séria, conheci tanta menina triste, que mente, até rouba, amores para tentar materializar sorrisos, que fico com dó, essas eu já até perdoei.
Ódio eu não tenho, isso é o principio de doença ruim, e quero ver meus netos crescerem.

O resto é matéria, e matéria fica a gente vai… em falar nisso. “To indo outra vez.”

THAMIRIS ANDRADE / BLOG / FACEBOOK

Um comentário:

  1. Você escreve muito bem.. "Também queria falar sobre a menina que ria. Ria do meu cabelo, e das minhas diferenças, será que ela já se curou de suas fraquezas?", a forma como você leva em consideração as coisas que já te marcaram é muito linda, você escreve docilmente.. São poucas as pessoas que sabem escrever bem :)

    http://propria-mente.blogspot.com.br/

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