Web Novela: Parte I - Monstros no armário


     Oi pessoal, perdoem estar tão sumida, mas, estava doentinha e triste. Mas, voltei. E trouxe o primeiro capítulo do meu quase livro. Ele fala sobre uma menina que sofre abusos e luta para se manter bem e viva e como a vida pode nos ensinar a participar dela.

     Qual a criança que nunca teve medo do escuro? Ou medo que bichos viessem machucá-la quando a luz se apagasse e seus pais fossem dormir no quarto ao lado? Pois bem, nossa pequena Melissa nunca teve medo de escuro. E quando, aos 4 anos, começou a chorar quando as luzes eram apagadas, ela já sabia que não adiantava chamar pelos pais, pois eles nunca viriam salvá-la.
Seus pais haviam ido “viajar”, e onde estavam não tinham como se comunicar com a filha. "Eles foram visitar as estrelas", disse tia Carla.

     Mas se eles foram ver as estrelas, porque estão todos chorando tia? Melissa perguntou. Essa pergunta nunca recebeu resposta.
Passaram-se alguns dias e a pequena foi levada da casa de sua avó para a casa de tia Carla, uma mulher que tinha câncer, e na visão de Melissa, vivia com um lenço na cabeça e era careca.
Também era muito meiga, embora sempre chorasse escondida. Seu marido era um homem muito bonito e sempre se oferecia para brincar com Melissa. Mas, ela percebia que seu olhar não era igual ao de sua tia, ele a olhava de uma forma diferente. Perto de sua esposa ele a tratava como uma filha, com um amor sem igual, mas longe dela, ele fazia algumas brincadeiras estranhas, diferentes, em que tocava muito nela e olhava embaixo de seu vestido.


     O ano passou rápido, o seguinte também. Finalmente ela estava indo à escola. Ela sempre ficava curiosa quando via seus primos chegando em casa com os materiais, lições de casa, mochilas. Sim, ela sempre quis ter uma mochila para levar à escola.

     Em um diário que encontrei depois de muitos anos, Melissa descreve muito bem como foi aquele dia. Irei postar abaixo as palavras escritas pela própria menina.


O primeiro dia de aula foi delicioso, mas, senti falta de tia Carla. Ela estava no hospital. Já fazia meses que estava doente, mas dessa vez ela caiu deitada no chão e não respondia quando eu chamava. Chamei pelo tio Afonso e quando ele chegou levaram ela ao hospital mais uma vez. Na escola eu sou a mais nova, como meu tio paga me deixaram entrar um ano antes. E, além disso, aos 6 anos, já sei escrever. Dizem que sou uma pequena... Esqueci o nome... Gênia! É isso. Sentei ao lado de duas meninas, Titio me disse antes da aula para evitar os meninos, pois, eles são maus e só querem me fazer mal. Eles parecem apenas crianças como eu, mas, vou evitá-los. Meu tio deve ser o único homem na minha vida, como ele me disse hoje. No intervalo comi o lanche que levei e o suco, mas continuei com fome, então uma das meninas da sala dividiu a maça dela comigo. Ela é muito legal. Minha primeira aula foi boa, começaram a ensinar um pouco sobre leitura. "Eu já sei ler", disse, mas, a professora falou que eu precisava aprender junto com os outros, então abri minha mochila, a que ganhei da minha tia, peguei meu caderno e estou escrevendo sobre meu dia. Minha prima me disse que diários são cadernos em que escrevemos o que vivemos, acho que isso é um diário. 

     Durante dias ela não escreveu mais, pois sua tia havia falecido na tarde daquele dia e sua vida nunca mais foi tão calma quanto era antes. Seus primos permaneceram na casa por mais algum tempo, mas, como eram adolescentes e não se davam bem com o pai, foram morar com a avó no interior. E antes de completar 7 anos, ela estava morando apenas com seu tio que tinha sua guarda.


     Ele começou a ter aquele comportamento estranho de quando ela foi morar lá. E ela já não conseguia lembrar de seus pais direito. Eles eram lembranças pequenas. Ela passava o dia inteiro na escola e quando chegava seu tio a chamava para brincar. E as brincadeiras agora, começavam a incomodar mais do que antes.

     Ela não sabia ao certo se queria brincar com ele. Teve um dia em que uma das brincadeiras a fez chorar. Ela não entendia como a mão dele havia chegado embaixo de sua calcinha e lhe fez sentir dor e sangrar.
Melissa estava em seu quarto, assistindo tv e ele chegou em casa gritando muito, ela ouvia barulho de coisas sendo quebradas.

     Ela pegou a mochila que tanto gostava e se escondeu dentro do armário. Mas ele foi mais esperto que ela. Chegou dizendo que queria brincar, mas, assustada, disse que estava brincando de esconder.
Foi então que ele disse que ela escondia algo dele, e que ele queria ver o que escondia. A voz dele foi ficando mais leve, mais suave, até que ela foi perdendo o medo e confiando, afinal, ela o tinha como um segundo pai já que o seu havia falecido.


     Ele pediu que ela deitasse na cama, e disse que ela precisava tirar o vestido, pois o que ela guardava estava dentro dele. Embaixo de seu umbigo. Ele lhe tirou a calcinha e ficou passando as mãos pelo sexo dela, depois tirou sua roupa.

     Ouviu-se um longo grito pela vizinhança. E Melissa nunca mais foi a mesma.


Leia o próximo capítulo Aqui.

4 comentários:

  1. Eu li os 3 capitulos e nossa, posso dizer que tudo é muito intenso. Chega a montar as cenas na cabeça. Mais o assunto em questão é bem interessante. Parabéns :)

    entreascolinas.blogspot.com.br

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  2. Boa tarde!
    Tem post especial de entrevista nesta semana em meu blog, com o Celso Cavallini (repórter e apresentador). Vem conferir?
    Beijo!
    http://www.planetadablogueira.com/2013/05/entrevista-com-celso-cavallini.html

    Boa semaninha :)

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  3. Minha infância foi ótima e não carrego nenhum trauma dela, mas sofri um abuso com quinze anos e não superei ate hoje.
    É muito triste , não sei descrever.

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    1. Ariana, é difícil superar, mas, não podemos viver deixando que o abuso influencie nossa vida.

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